No Brasil é muito comum que os investimentos sejam avaliados em horizontes de curto prazo, mensais, no mais das vezes, sendo comum também que investimentos de diferentes classes sejam comparados nesse mesmo horizonte de tempo. Além disso, ou talvez em decorrência disso, decisões tomadas com parâmetros subjetivos e emocionais (medo, moda, ambição) tendem a se basear na experiência imediata, ignorando a racionalidade e a escolha do tempo exigida pela economia dos investimentos pessoais ou corporativos.
Na teoria das carteiras de investimentos afirma-se costumeiramente que o tempo é um fator fundamental no crescimento de patrimônio em longo prazo. Essa afirmação decorre de dois elementos principais: de um lado, a incidência dos juros compostos; de outro, o longo prazo permite que sejam descontadas as flutuações que causam variações na rentabilidade dos investimentos na economia, fenômeno conhecido no mercado de capitais como volatilidade.
Os juros compostos são, em síntese, a incidência de juros sobre os juros, o que torna o crescimento do montante inicial exponencial. Albert Einstein, para expressar a grandiosidade do conceito, teria dito certa vez que “os juros compostos são a força mais poderosa do Universo”.Uma dívida parcelada no cartão de crédito pode resultar numa imensa bola de neve.
Mas é importante destacar que os juros podem trabalhar a favor ou contra o individuo, a depender dele ser um poupador ou estar endividado. Daí a importância de manter regularmente o hábito de guardar parte dos rendimentos e manter controlados os gastos, principalmente aqueles feitos pelos sistemas de crediário ou com o uso do cartão de crédito.
Por sua vez, as variações no valor dos bens e do dinheiro podem ocorrer em razão de fatores internos e diretamente ligados ao investimento, ou devido a fatores de mercado, do Brasil e de outros países, a que este investimento está exposto. De forma geral, até mesmo títulos públicos podem sofrer variações negativas de preço quando estão marcados a mercado. Isso não significa necessariamente que perderam seu valor, mas sim que naquele momento determinado, alcançam um preço menor de venda. Portanto, o fator tempo permite que os investimentos tenham uma tendência mais definida de preço, sem a necessidade de venda nos momentos impróprios.
No entanto, essa perspectiva de investimento de longo prazo nem sempre é trivial ou óbvia, sofrendo, muitas vezes, com hábitos ou vieses psicológicos do investidor. No Brasil, por exemplo, é muito comum que os investimentos sejam avaliados em horizontes de curto prazo, mensais, no mais das vezes, sendo comum também que investimentos de diferentes classes sejam comparados nesse mesmo horizonte de tempo. Além disso, ou talvez em decorrência disso, decisões tomadas com parâmetros subjetivos e emocionais (medo, moda, ambição) tendem a se basear na experiência imediata, ignorando a racionalidade e a escolha do tempo exigida pela economia dos investimentos pessoais ou corporativos.
Ao fim, também cabe observar que embora o prazo seja essencial para a maturação correta dos investimentos, ele não é garantia de que todos os investimentos irão ter bom desempenho ou se recuperar em longo prazo, em termos de risco e de rentabilidade. Por isso a importância da seleção e diversificação de papeis, que permite ao investidor possuir expectativas de retornos positivos, mesmo em ambientes adversos.
