Conforme nota da Diretoria Executiva da CELOS divulgada em 18/04/2017, o desempenho de março/2017 dos planos Misto e Transitório foi impactado pela reavaliação negativa do Fundo de Investimento em Participações Energia PCH ocorrido em 31/03/2017. O reflexo foi uma rentabilidade –1,28% no Plano Misto e –0,42% no Plano Transitório, em março/2017.
O que é o fip energia pch e quando foram realizados aportes
O FIP Energia PCH é um Fundo de Investimento em Participação (FIP). Os FIPs são um tipo de investimento realizado em conjunto com outros investidores qualificados, chamados cotistas, com objetivo de aplicação em companhias em fase de desenvolvimento com elevado potencial de retorno. Esses fundos, representados pelo seu gestor, participam do processo decisório das empresas investidas, com efetiva influência na definição de sua estratégia e gestão.
O FIP é um investimento com renda variável que tem como objetivo a maximização dos resultados das empresas investidas. O retorno do valor investido ocorre no momento da venda destas empresas. Desta forma, não há previsão para resgate deste investimento sem a venda das empresas investidas.
No caso específico do FIP Energia PCH, houve a aquisição do projeto e desenvolvimento de um conjunto de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no estado de Mato Grosso, com o investimento realizado na empresa Juruena S.A. Todas as cinco PCHs estão em operação e com faturamento garantido por terem PPA (contrato de venda de energia firmado).
A CELOS realizou aportes no FIP Energia PCH entre os anos de 2004 e 2012, totalizando valores da ordem de R$ 130.163.212,15. Vale destacar que, mesmo após a reavaliação de 31/03/2017, a CELOS detém em cotas do FIP, valor superior ao investimento inicial, ou seja, R$ 136.958.825,72 e a expectativa de retorno para este investimento ainda é positiva.
O que aconteceu para a ocorrência de reavaliação
A reavaliação é um evento anual ordinário previsto no regulamento do FIP Energia PCH.
Ao longo de 2016 houve a alteração do Gestor do Fundo (alteração da Infra Asset para Vinci Partners), na busca pela maximização de resultado do investimento e venda da empresa. O novo gestor, por sua vez, entendeu que as premissas utilizadas na avaliação da empresa Juruena S.A. deveriam ser agravadas em itens como potencial de geração das usinas e alterações regulatórias, conforme detalhamento:
Potencial de geração: em vista da média de vazão de água visualizada nos últimos quatro anos, houve um agravamento no potencial de geração, o que influencia diretamente na projeção de receita futura da companhia.
Alterações regulatórias: em função do novo marco regulatório do setor elétrico, houve a instituição do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), que funciona como um condomínio que visa o compartilhamento dos riscos da geração hídrica. Sua razão de existir é para garantir a otimização dos recursos hidrelétricos do Sistema Interligado Nacional (SIN). Assim, quando as usinas geram acima de suas garantias físicas, o bônus é compartilhado, mas quando há um déficit esse ônus é rateado entre os agentes. Como a produção hídrica dos últimos anos no Brasil foi deficitária, os custos foram rateados entre os produtores, com impacto na receita da empresa.
Reflexos e ações
No Plano Misto, os Participantes Ativos foram impactados diretamente na conta CIAP, porém sem o risco de equacionamento, visto que estando na ativa ainda não há benefício de aposentadoria definido. Quanto aos Aposentados e Pensionistas do Plano Misto e do Plano Transitório, no encerramento do exercício de 2017 é que se realizará nova avaliação atuarial e será verificada a necessidade ou não de novo equacionamento.
Entre as ações tomadas destaca-se a judicialização do pagamento relativo ao GSF (é a relação entre o volume de energia efetivamente gerado pelo MRE e a garantia física total do mecanismo). Portanto, apesar de provisionado, não foram realizados desembolsos para pagamento dessa despesa no momento. Uma vez que haja decisão nas ações relacionadas será possível reverter parte da precificação.
Em relação a vazão de água, novos estudos também foram solicitados para averiguar se é um evento específico desse período de tempo ou se haverá recorrência para os próximos anos.
Cabe destacar que o agravamento das premissas utilizadas pelo novo Gestor não foi consensual entre os cotistas, o que gerou por parte da CELOS e de outros cotistas questionamentos que estão sendo objeto de avaliações jurídicas e econômicas entre as partes relacionadas ao investimento no FIP Energia PCH.
