Decisão foi por unanimidade e sem viés. Foi o sexto corte seguido da Selic, mas o segundo nesse patamar, levando a taxa para seu menor nível em 3 anos. Mas o ritmo pode cair em breve: “O Copom entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião”, diz o comunicado do Banco Central.
O corte de 1 ponto percentual era esperado por 9 entre 10 analistas consultados pela Bloomberg e por 47 das 57 instituições financeiras das pelo Broadcast da Agência Estado. Também era a previsão de consenso do último Boletim Focus.
Mas o contexto é um dos mais complexos dos últimos tempos: uma crise política, disparada pelas delações dos executivos da JBS, que colocou em cheque a permanência do presidente Michel Temer.
“O Comitê entende como fator de risco principal o aumento de incerteza sobre a velocidade do processo de reformas e ajustes na economia”, diz o comunicado.
Antes das revelações, parte dos economistas e das instituições financeiras estavam prevendo que o BC iria acelerar o ritmo do corte de juros para 1,25 ponto percentual, mas essa aposta foi perdendo força.
O enfraquecimento de Temer desestrutura a base governista no Legislativo e prejudica o andamento das reformas estruturais, especialmente a da Previdência, colocando em dúvida sua aprovação.
E esse era um dos fatores que os comunicados do Copom citavam como essenciais para controle da trajetória das contas públicas e queda estrutural da taxa de juros da economia no longo prazo.
Além disso, a turbulência pressiona para cima o câmbio, o que tem efeito sobre a inflação – ainda que esse seja um fator secundário.
A queda do IPCA, aliás, é o principal fator que justifica a queda dos juros nas últimas reuniões.
O acumulado dos últimos 12 meses ficou em 4,08% ate abril, já abaixo do centro da meta do governo, que é de 4,5%. A inflação anualizada não era tão baixa há quase uma década.
A crise política também bate aqui, mas apenas marginalmente. O último Boletim Focus subiu a projeção de inflação em 2017 de 3,92% para 3,95% e a de 2018 de 4,34% para 4,4%. Tudo dentro da meta.
“O comportamento da inflação permanece favorável, com desinflação difundida inclusive nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”, diz o comunicado.
E tudo isso em meio a um cenário de atividade ainda fraca, e que deve ser prejudicada pela crise política. O IBGE divulga nesta quinta-feira (1º) às 9h o resultado do PIB do 1º trimestre.
A ata do Copom será divulgada na próxima terça-feira, dia 06 de junho, e a próxima reunião está marcada para os dias 25 e 26 de julho.
