O dólar segue operando em alta, há um mês das férias escolares, a moeda norte-americana rompeu nesta quarta-feira (6) a barreira dos R$ 4,00 — a maior cotação em dois anos, que leva à tendência de aumento dos preços em geral.

 

É o que explica Reinaldo Domingos, doutor em Educação Financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin). “O aumento do dólar gera um aumento na inflação de modo geral, já que matérias-primas de produtos consumidos largamente no Brasil, como o trigo para o pãozinho, passam a custar mais caro”.

 

Na prática, o resultado disso é que o encarecimento de produtos e serviços pode diminuir o poder de compra do brasileiro. “Não se trata de um momento para pânico, mas é preciso considerar que a inflação e o desemprego também batem à porta. O melhor a fazer é reunir a família e rever as despesas diárias e mensais, para viver em seu real padrão de vida. Infelizmente, muitas gastam mais do que ganham e não têm estrutura financeira para suportar variações econômicas”.

 

A professora de Economia Michelle Nunes, da Faculdade Presbiteriana Mackenzie, afirma que o sobe e desce do mercado de câmbio afeta diretamente a vida do consumidor.

 

Para quem vai viajar para o exterior, por exemplo, o passeio sairá mais caro. Por isso, para quem estiver pensando em viajar para o exterior, o momento é de cautela e conscientização. Há incremento nos preços até das despesas básicas, como passagens, hospedagens e uso de cartões de crédito internacionais.

 

Domingos concorda. “Caso a pessoa ou família não tenha feito um planejamento prévio, orçando todos os custos e poupando mês a mês para realizar este sonho com tranquilidade financeira, o ideal é deixar a viagem para outro momento”, afirma o especialista.

 

Para Michelle, quem for ficar no Brasil também poderá sentir no bolso os efeitos do aumento do dólar. “Os produtos importados ficam mais caros quando o dólar sobe. Mesmo que sejam fabricados aqui no Brasil, podem ter matéria-prima ou peças importadas. Se o preço desses materiais subir, o preço final também vai”.

 

Além disso, há produtos fabricados no Brasil e que seguem uma referência de preço em dólar. É o caso de diesel e gasolina. Por isso, o frete de mercadorias cobrado por transportadoras também deve sofrer reajuste, o que pode ser repassado para os produtos.

 

Exportador ganha

Quem ganha nessa situação são os exportadores. “Nesse caso, elas passam a ter mais dinheiro para investir e contratar mais”, diz Michelle Nunes.

 

Para Domingos, esse cenário poderá levar a mais competição entre as empresas, que pode gerar um saldo positivo. “Os impactos tendem a ser bons para empresas e indústrias nacionais, pois, com a alta do dólar, a competitividade das vendas é estimulada”.

 

Para as empresas importadoras, que compram seus produtos do exterior em dólar, há um encarecimento em todo o processo, o que, irremediavelmente, é repassado para o consumidor final.

(A Escolha Certa)

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